De uma coisa tenho certeza: eu não caibo em mim. Há constantemente uma necessidade de expansão, de desmembramento. A sensação de transbordo, de uma linha infinita que desenrola, desenrola, desenrola, se enrola...
Não há como medir um corpo para uma alma? Se há, devem ter trocado minha escala. Esse corpo não me suporta. Não consegue me conter.
Meus olhos, culpados, abstraem tudo o que podem. São a energia do crescimento dessa alma, que com o estreito limite corporal, se mostra com bravura no escape desenhado pelas mãos, de dedos curtos e gordos, de unhas mais felizes quando vermelhas, com marcas acidentais.
Uma voz rouca, de fala ansiosa canta e grita as sensações que não devem ser contidas nessa obra de moldura cacheada e negra. Pelos ouvidos, prazerosas notas deslizam e contaminam de emoção sensibilizadora de pernas e cintura, cabeça e braços, que, ritmados, harmonizam-se docemente.
A pele morena arrepia-se facilmente e desperta fluidez. Incomparável momento de maior entrega ao que a alma pede para preencher lacunas molhadas de suor e saliva. Que encantamento...
Esse corpo é pequeno demais para os pensamentos confusos com tanta influência, que não cansam de lutar pela liberdade. Não deixam de tentar fugir do gradil craniano e descobrir o espaço de fora.
Eu, indubitavelmente, não caibo em mim. Desata-me!
12 de out. de 2006
DESATA-me
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