27 de fev. de 2007

desilusão





No seu silêncio
Confundi nossas respirações.
Achei que a sua ofegava
Que seu coração acelerava
Que sua mão suava
Como a minha.
No meu barulho
Confundi nossas vozes.
Ouvi uma declaração
Um começo de canção.
Foi uma outra ilusão.




É que nem sempre o amor é tão azul...

Trecho de "Novamente"
Fred Martins.Alexandre Lemos

21 de fev. de 2007

nariz


P. Chartes d'Azevedo
"Nariz, nariz, nariz"


sinto seu cheiro
pelo olhar
pelo pensar
pelo falar
pelo cinzeiro
pelas estrelas
pelo suar
pelo tocar
pelo travesseiro
pelo desejo
pelo instinto
sinto seu cheiro

19 de fev. de 2007

Travessa Cassiano




Fundamental
Estreita escada
Me leva e tira
Da loucura
Que se procura
Num sábado de Carnaval.

Carnaval





Carnaval é arte.
Tudo envolvido:
Canto
Dança
Encenação
Improviso
Amor
Brincadeira
Tesão
E sorriso.

fonte da juventude




A criança fantasiada
Se finge de pirata
Nem sabe na real
O poder do Carnaval

Poder ser o que quiser
Tendo a idade que tiver
Esquecer toda a gente
Ser criança novamente

17 de fev. de 2007

como uma fábula




linda
rapunzel
espera seu príncipe
ajeitando sua trança

alegre
amiga
vive uma santa fábula
com os sonhos de criança

encantadora
Laurita
cuida para que a vida
seja sempre boa lembrança

12 de fev. de 2007

solamente




um rosto
um sorriso
um nome
um cacho
um beijo
um cheiro
um samba
uma uno

suspensão




Quero pisar nos meus pés
Mas não os encontro.
Estão soltos por aí
levitando.

Quero fazê-los sentir dor
Pela consciência.

Eles não permitem.
Estão soltos por aí
Viajando
Com gestos lentos de dança
Uma dança lírica
Sem propósito
No ar.

Meus pés levitam:
Não querem acordar.




solidão
a profundidade da palavra
desfoca a razão
gagueja enquanto fala


acumula o gesto que não acaba
contempla o homem sem vizinhos
inverte e espirila a escala
é um enorme caminho azul marinho


não assegura medidas, nem proporção
é um grande sólido bruto, sozinho
exagera o valor da imensidão
aumenta o canto do passarinho

10 de fev. de 2007

aadd




Não sei ainda dizer
se nossas personalidades
rimam.

Não tem problema:
Pra mim já vale
que nossas vidas
contemplem
o mesmo poema.

Por cima




Feliz
Alegre
Viva!
Que dentes bonitos!
Como ela dança!
Que bailarina!
Rodopia, pula, pára
Senta, ouve, escreve
Reflete
Cansa...
Dorme.

9 de fev. de 2007

Arame farpado 2











Meus defeitos
Me espetam
Transpassam minha pele
E arranham
Os que abraço.

Tento pôr um casaco,
Envergonhada,
Pela aparência ruim
E pelo mal causado.

Mas o agasalho
Não sufoca o que eu faço,
Não impede meus atos
De arame farpado.

Cabra-cega












Você tem razão
Meu mundo não existe
É o que eu invento
Pra acreditar
Que não sou triste.
É difícil acordar.
Pode ser um mal alento
Mas esse mundo insiste
Em cegar minha visão.

8 de fev. de 2007

Shhhiiiii




Silêncio
Solidão ou tormento
Ausência de ruído
Fartura de pensamento

guarda-sol





Guarda sol
escudo de plástico
protege
valente
a pele da gente

Sem uso
fechado
num dia nublado

ARAME FARPADO




hostilidade
agressividade
brutalidade
gritaria
porrada
sirene
arranhão
cicatriz
sangue
band-aid

4 de fev. de 2007

A luta da pálpebra contra a lágrima

Catapora




Catapora
(espero!) não contagiosa
impregna a pele
provoca delírio.

Contraída em Copa,
- rápida contaminação -
seus poás vermelhos
já tomaram a Vila:

invadiram calçadas
ares, desejos,
ritmos, bares,
meu corpo e poesia.

Bolinhas cor de sangue
trazidas na garoa
estampam os sonhos
dos dias de amor
e noites de samba.

Medicação dispensada,
espalho os paetês
que vulgarizam(!!)a vida
numa rubra embriaguez.

Transbordo



Meu problema são as medidas. Não sei bem dosar os limites. Troco sempre a posição do escalímetro e a escala humana acaba excedendo à do espaço...

2 de fev. de 2007

ÃO




Tenho medo
da vontade de amar demais
que tenho tido.

Ou é do amor demais
que tenho sentido?

Ou é desse amor demais
ser o maior até então vivido?

Ou é desse amor demais
não ser correspondido?

Ou é desse amor demais
não ter havido?

Ou é desse amor no aumentativo?

Não quero "Porque não?"




Não quero "Porque não?".

Tem que haver um porquê, mesmo que não se saiba. E essa dúvida é ainda mais verdadeira, honesta. É o sentimento que violenta, arrebata, invade e não diz a que veio. É o gosto novo dos velhos ingredientes, que não se consegue identificar. Ele existe, é fato, mas não é paupável.


Não quero explicações para a vida. Nem rumo. Me basta sentí-la, queimar-me com ela, que, mais tarde, me fará congelar e derreter de novo. Mas desejo essa variação de estado, esse calor ou esse frio.

Não quero "Porque não?".

Sou faminta por SINS sinceros, que depois possam ser NÃOS. Mas quero que isso seja uma escolha não resultante da inércia. Não quero menos que isso. O sentimento não tem razão.

Não quero "Porque não?".