23 de dez. de 2007


PROJETO DE AMOR




AMOR MODERNO
SEM CORNIJAS
AMOR SIMPLES, PURO
GLAMOUR DÉCO
NEON E CENÁRIO
SEM DISPENSAR A FANTASIA
EXCÊNCIA BRUTALISTA
AMOR VERDADEIRO
COMO CONTINUIDADE
DA NATUREZA
À MÃO LIVRE
TRAÇO 0,9
DESENHADO A NANQUIM
PERSPECTIVA INFINITA
COM 2 ASSINATURAS

10 de nov. de 2007

Amores



Não existe o amor no escuro
Amor imaginário
Amor incompleto
Não, não existe
Amor sem sorriso
Amor sem palavra
Amor, não é amor
Amor não se engana
Amor não duvida
Amor não se esconde
Não resista ao amor
Amor que repete
Amor passional
Amor sem limites
Não, esqueça o amor
Amor vermelho
Amor de luto
Amor com luta
Amor, filho da puta
Amor de lágrimas
Amor de costas
Amor sem pauta
Inflama, vai amor
Amor bonito
Amor feliz
Amor de paz
Amor, como se diz?
Amor, como se faz?

1 de nov. de 2007

fernando pessoa




O peso de sentir! O peso de ter que sentir!


(O livro do Desassossego)

23 de out. de 2007

mudança de ramal




normal
tudo é muito normal
não é por mal
mas para tal:
acostumar-se com o banal.
prefiro dar tchau.

negação


não ganhei a caneta
para marcar a múltipla escolha
sem nenhuma opção
me restou a solidão
sentada a espera de um ônibus
atônita com o não
dado pela vida
sem qualquer explicação

4 de out. de 2007

cine ideal




Parece um filme
Com direção de arte

Paramos em que parte?

26 de set. de 2007

partilha




1/2
você aceita?
você me cede?

24 de set. de 2007




nesse silêncio
o amor invade
o ambiente
eu só penso
no amor que te sinto
eu só sinto
o amor que te invento
eu invento
o amor infinito
que começa no amarelo do silêncio

31 de ago. de 2007

má digestão




depois de muito mastigar
sai pelo arroto
mais verde e saltitante
num coachar deselegante

não me calo




escancarada
eu me mostro
sem medo do depois
a verdade em mim
não se esconde
ela se expande
e extrapola
pra fora
eu a cuspo
e então percebo
a distância que alcança
e o espanto que causa
a conjunção das palavras
rígidas ou amáveis
sempre honestas
nem tão esperadas
quase nunca compreendidas

23 de ago. de 2007

fronteira




aqui ou ali
como limitar o amor?


muro branco
cacos de vidro
cadeado
pedágio?

14 de ago. de 2007

beijos de amor




Meus beijos
de amor
podem chegar
até os Seus
com paixão

ofereço
de boca aberta
e os entrego
dEsfarSando
a boa intensão

seu bafo,
o desejo,
tímido
desabrocha
distinta explosão

Nossos beijos
oscilam soltos
de amor a amor,
depende
da interpretação

são beijos
de amor
de amizade
e, Quem sabe?,
de paixão

10 de jul. de 2007

sem amor




amor
não quer
mudar de vida:

inflexível
teimoso
tradicional
taurino

amor
é amor.
duvida?

sem querer




se querer fosse amar
eu queria que o amor quisesse
que o querer amasse
mais do que eu quero esse amor

11 de jun. de 2007

Até que enfins...





Satisfeita,
A alma
costura em mim
Um bordado
Assim:
Até que enfim!

Até que enfins...


Às vezes surge um homem.
Às vezes surge um homem.
Às vezes não surge um homem.
Uma vez surge um homem.
Uma vez surgiu um homem.
Essa vez surgiu um homem.
Enfim,
Essa vez surgiu o homem.

Até que enfins...


Aponte
Suas pontas,
Enfim,
Pra mim.

Até que enfins...


Trabalhim
Olhim
Reparim
Gostim
Enfim

Fumim
Andim
Voim
Sonhim
Enfim

Reveillim
Sorrim
Pulim
Beijim
Enfim

Até que enfins...


Sem fim.
Sem porque.
Enfim,
Eu e você.

Até que enfins...


Longe de mim
Chegando a mim
Perto de mim
Dentro de mim
E(n)fim.

14 de mai. de 2007

leminski de novo



ele disse e eu repito.

Muro de flores





Guerra fria
Declarada por olhares
Declamada por gestos
Ignorada pelas costas

Bela Adormecida




A solidão
Não divide
Sentimentos
É uma pedra
Dura
Não se deixa
Absorver
Quando
Fecha os olhos
Em sono profundo
Às vezes
É só o que
Se pode ter

esse amor




O que é pior?
Não amar
Ou amar e não
Ser amado?

No amor
essa dúvida
impera.
Pudera
a vida
se encarregar
de me poupar
essa dor...

Que tanto promete
esse tal de amor
Capaz de causar
tamanha dor?

au revoir...




Sai daqui!
Xô!
Xispa!
Vai embora!
Pra fora!

10 de mai. de 2007

inferninho




bota
taca fogo
incendeia

querosene
enxofre
gasolina

fósforo
pauzinho
esqueiro

12 de abr. de 2007

Ao meu ente querido



Eu te admiro
pelo que sei
e pelo que imagino que você é.

Eu te amo
pela proximidade
e pela distância que há entre nós.

Eu agradeço
pelo que fez
e pelo que me poupou de fazer.

Sinto sua falta:
Do sorriso
E das porradas.

Sempre estarei disposta
a responder onde estou
a apertar sua mão quando estiver distraída
a adorar os insultos
e a te amar tranquilamente.

Muito mais




Eu quero você

No sentido mais bonito da palavra
Quando seu sinônimo é o desejo
Com todo sentimento que ela trás
Com todo calafrio que ela carrega

Quero você pra mim
Sem o mal da propriedade
Quero apenas possuir o que já existe
O que criamos juntos
Mesmo que isso seja ainda muito pouco
E é

Mas eu quero isso
Nós somos isso
Quero você quando está comigo
Quero ser eu quando estou com você
Apesar de eu querer muito mais

28 de mar. de 2007

amada amante




Amanda:
tratando de amor,
é amadora.

16 de mar. de 2007

habitação de interesse pessoal




tá difícil arrumar
um teto, um lar
com geladeira e fogão
armário e colchão
janela e portão
onde meu coração
cansado de confusão
pronto pra voar
possa, em paz, descansar

5 de mar. de 2007

Maestro Francisco Braga




A vida podia
se resumir
na sua respiração
na minha nuca
na sua mão
na minha barriga
no amarelo
da sua casa.

Não preciso nem
abrir os olhos.
Só quero sentir
seus beijos,
o seu corpo.
O desejo de cair
no buraco
do seu colchão
suada,
cansada,
encantada.

E beber a água.
E ouvir a música.
E sentir o barato.
E olhar pro teto.
E tudo mais com você.

27 de fev. de 2007

desilusão





No seu silêncio
Confundi nossas respirações.
Achei que a sua ofegava
Que seu coração acelerava
Que sua mão suava
Como a minha.
No meu barulho
Confundi nossas vozes.
Ouvi uma declaração
Um começo de canção.
Foi uma outra ilusão.




É que nem sempre o amor é tão azul...

Trecho de "Novamente"
Fred Martins.Alexandre Lemos

21 de fev. de 2007

nariz


P. Chartes d'Azevedo
"Nariz, nariz, nariz"


sinto seu cheiro
pelo olhar
pelo pensar
pelo falar
pelo cinzeiro
pelas estrelas
pelo suar
pelo tocar
pelo travesseiro
pelo desejo
pelo instinto
sinto seu cheiro

19 de fev. de 2007

Travessa Cassiano




Fundamental
Estreita escada
Me leva e tira
Da loucura
Que se procura
Num sábado de Carnaval.

Carnaval





Carnaval é arte.
Tudo envolvido:
Canto
Dança
Encenação
Improviso
Amor
Brincadeira
Tesão
E sorriso.

fonte da juventude




A criança fantasiada
Se finge de pirata
Nem sabe na real
O poder do Carnaval

Poder ser o que quiser
Tendo a idade que tiver
Esquecer toda a gente
Ser criança novamente

17 de fev. de 2007

como uma fábula




linda
rapunzel
espera seu príncipe
ajeitando sua trança

alegre
amiga
vive uma santa fábula
com os sonhos de criança

encantadora
Laurita
cuida para que a vida
seja sempre boa lembrança

12 de fev. de 2007

solamente




um rosto
um sorriso
um nome
um cacho
um beijo
um cheiro
um samba
uma uno

suspensão




Quero pisar nos meus pés
Mas não os encontro.
Estão soltos por aí
levitando.

Quero fazê-los sentir dor
Pela consciência.

Eles não permitem.
Estão soltos por aí
Viajando
Com gestos lentos de dança
Uma dança lírica
Sem propósito
No ar.

Meus pés levitam:
Não querem acordar.




solidão
a profundidade da palavra
desfoca a razão
gagueja enquanto fala


acumula o gesto que não acaba
contempla o homem sem vizinhos
inverte e espirila a escala
é um enorme caminho azul marinho


não assegura medidas, nem proporção
é um grande sólido bruto, sozinho
exagera o valor da imensidão
aumenta o canto do passarinho

10 de fev. de 2007

aadd




Não sei ainda dizer
se nossas personalidades
rimam.

Não tem problema:
Pra mim já vale
que nossas vidas
contemplem
o mesmo poema.

Por cima




Feliz
Alegre
Viva!
Que dentes bonitos!
Como ela dança!
Que bailarina!
Rodopia, pula, pára
Senta, ouve, escreve
Reflete
Cansa...
Dorme.

9 de fev. de 2007

Arame farpado 2











Meus defeitos
Me espetam
Transpassam minha pele
E arranham
Os que abraço.

Tento pôr um casaco,
Envergonhada,
Pela aparência ruim
E pelo mal causado.

Mas o agasalho
Não sufoca o que eu faço,
Não impede meus atos
De arame farpado.

Cabra-cega












Você tem razão
Meu mundo não existe
É o que eu invento
Pra acreditar
Que não sou triste.
É difícil acordar.
Pode ser um mal alento
Mas esse mundo insiste
Em cegar minha visão.

8 de fev. de 2007

Shhhiiiii




Silêncio
Solidão ou tormento
Ausência de ruído
Fartura de pensamento

guarda-sol





Guarda sol
escudo de plástico
protege
valente
a pele da gente

Sem uso
fechado
num dia nublado

ARAME FARPADO




hostilidade
agressividade
brutalidade
gritaria
porrada
sirene
arranhão
cicatriz
sangue
band-aid

4 de fev. de 2007

A luta da pálpebra contra a lágrima

Catapora




Catapora
(espero!) não contagiosa
impregna a pele
provoca delírio.

Contraída em Copa,
- rápida contaminação -
seus poás vermelhos
já tomaram a Vila:

invadiram calçadas
ares, desejos,
ritmos, bares,
meu corpo e poesia.

Bolinhas cor de sangue
trazidas na garoa
estampam os sonhos
dos dias de amor
e noites de samba.

Medicação dispensada,
espalho os paetês
que vulgarizam(!!)a vida
numa rubra embriaguez.

Transbordo



Meu problema são as medidas. Não sei bem dosar os limites. Troco sempre a posição do escalímetro e a escala humana acaba excedendo à do espaço...

2 de fev. de 2007

ÃO




Tenho medo
da vontade de amar demais
que tenho tido.

Ou é do amor demais
que tenho sentido?

Ou é desse amor demais
ser o maior até então vivido?

Ou é desse amor demais
não ser correspondido?

Ou é desse amor demais
não ter havido?

Ou é desse amor no aumentativo?